De motorista a CEO: como Aldo Garcia transformou a Betha Sistemas em uma potência de R$ 300 milhões no setor público

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No cenário desafiador da gestão pública brasileira, onde mais de 5.500 municípios convivem com orçamentos apertados, infraestrutura precária e alta rotatividade de lideranças, uma empresa catarinense vem se destacando por modernizar a forma como prefeituras gerenciam suas operações. Trata-se da Betha Sistemas, fundada em 1984 em Criciúma (SC), que hoje está presente em mais de 800 cidades brasileiras e projeta R$ 300 milhões de faturamento em 2025.
O sucesso da empresa está fortemente ligado à trajetória de Aldo Garcia, atual CEO, que começou sua jornada na Betha como motorista, em 1996. Ao longo de quase três décadas, ele passou por todas as áreas da empresa — de vendas à tecnologia — até assumir a liderança em 2019. Hoje, Garcia conduz a empresa com foco em inovação, expansão e transformação digital.

Especialista em gestão pública municipal

A Betha nasceu da visão de Cláudio Balsini e César Smielevski, que enxergaram na informatização de prefeituras uma oportunidade de negócio. Inicialmente, a empresa alugava computadores para administrações municipais. Com o tempo, passou a oferecer sistemas que ajudavam na contabilidade, folha de pagamento, arrecadação e compras públicas.
Atualmente, a empresa oferece mais de 60 soluções tecnológicas, que vão de sistemas para saúde e educação até plataformas de arrecadação tributária, tudo com entregas em nuvem e integração via API. Essa abordagem permitiu que a Betha migrasse quase toda sua base de clientes para o modelo cloud — uma movimentação rara e arriscada no setor público, onde mudanças são tradicionalmente lentas e burocráticas.
“Apostamos alto na transformação digital. Se não fizéssemos isso, estaríamos estagnados”, afirma Aldo Garcia. O esforço foi recompensado com uma receita líquida de R$ 252 milhões em 2023, um crescimento de mais de 11% em relação ao ano anterior, o que garantiu à empresa um lugar no ranking EXAME Negócios em Expansão 2024.

Receita recorrente e contratos de longo prazo

Desde os anos 1990, a Betha opera com um modelo de receita recorrente. Inicialmente, o aluguel de hardware gerava retorno estável. Hoje, a assinatura de softwares garante previsibilidade financeira. Os contratos são firmados via licitação, mas a empresa mantém uma estrutura robusta de relacionamento com o cliente, com consultores que acompanham de perto as prefeituras e seus gestores.
Com a legislação atual, os contratos com o setor público podem durar até 10 anos, o que gera segurança tanto para a empresa quanto para os municípios atendidos. Algumas prefeituras têm mais de 30 anos de parceria com a Betha.
Garcia explica: “Com a rotatividade política e técnica nos municípios, o suporte direto e contínuo é o que garante a renovação dos contratos e a eficiência na entrega dos serviços”.

Escala, personalização e governança

A Betha está presente em cidades de todos os portes, incluindo capitais como Florianópolis e municípios médios como Juiz de Fora (MG). Para cidades com mais de 800 mil habitantes, a empresa adota um atendimento personalizado, moldando soluções conforme as demandas específicas de cada localidade.
Anualmente, a Betha investe cerca de R$ 50 milhões em infraestrutura tecnológica, segurança da informação e desenvolvimento de produtos. Isso permite à empresa manter um padrão de excelência que dificilmente seria alcançado por uma prefeitura individualmente.
A estrutura de governança corporativa da Betha é outro diferencial. A empresa possui balanços auditados por uma Big Four, adota práticas de transparência e responsabilidade, e se posiciona como uma organização sólida, mesmo com raízes familiares.

Da garagem ao protagonismo

A história de Aldo Garcia representa a essência da Betha. Contratado como motorista, ele se dedicou a entender os processos da empresa, se especializou em tecnologia e liderou projetos-chave de modernização. Sua ascensão até o posto de CEO em 2019 foi natural e estratégica.
“Minha missão é garantir que a Betha esteja pronta para os próximos 40 anos”, declara Garcia, que mantém o foco em ampliar a atuação da empresa para governos estaduais e grandes capitais, uma frente que ainda representa desafio pela burocracia e concorrência com estatais de tecnologia.
Um exemplo é o investimento de R$ 700 mil em São Paulo, apenas para executar uma prova de conceito — uma exigência alta, mas que pode abrir portas em administrações com grande volume de dados e complexidade operacional.

IA e o futuro do serviço público

Entre os projetos mais inovadores da Betha está a aplicação de inteligência artificial e reconhecimento facial em ambientes escolares, monitorando engajamento dos alunos e evitando usos indevidos de dispositivos móveis. A empresa aposta que tecnologias avançadas serão o diferencial no atendimento ao setor público nos próximos anos.
Outro passo importante é a integração total entre sistemas, viabilizada por uma camada de APIs proprietárias. Isso permite cruzamento de dados entre saúde, educação, finanças e RH municipal — algo fundamental para a eficiência da gestão pública e para a aplicação de IA em escala.
“Queremos ser muito mais que uma fornecedora de software. Nossa meta é ser a provedora de tecnologia da transformação pública no Brasil”, resume o CEO.

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