A Marfrig confirmou nesta semana a proposta de fusão com a BRF, empresa da qual já detém 50,5% do capital social. Como parte da operação, será distribuído um volume extraordinário de dividendos: R$ 3,5 bilhões aos acionistas da BRF e R$ 2,5 bilhões aos da Marfrig, totalizando R$ 6 bilhões.
A incorporação ocorre mediante a troca de ações: cada acionista da BRF receberá 0,8521 ação da Marfrig para cada papel detido, considerando o pagamento máximo de proventos previsto no estatuto das companhias. Com a consolidação, nasce uma gigante do setor de alimentos, com receita líquida combinada de R$ 152 bilhões nos últimos 12 meses e uma fatia de 38% do mercado de produtos processados.
Uma fusão anunciada desde 2021
A fusão consolida um movimento iniciado em 2021, quando a Marfrig surpreendeu o mercado ao adquirir rapidamente 25% da BRF em poucos pregões, afirmando manter uma posição “passiva”. No entanto, esse comportamento evoluiu rapidamente: a participação ultrapassou 30%, quase forçando uma oferta pública de aquisição do controle.
O avanço foi facilitado com o fim da cláusula de “poison pill” em julho de 2023, mês em que a BRF levantou R$ 4,5 bilhões em uma oferta para reduzir dívidas, grande parte financiada pela própria Marfrig. A operação também contou com a entrada da Salic (Arábia Saudita), que assumiu 16% da empresa.
O controle definitivo chegou em dezembro do mesmo ano, quando a Marfrig comprou mais ações e atingiu 50,5% de participação, consolidando o comando da dona das marcas Sadia e Perdigão.
Entendendo os dividendos na prática
Dividendos representam uma fatia do lucro das empresas destinada aos seus acionistas como forma de remuneração. No Brasil, companhias listadas na Bolsa são obrigadas a distribuir dividendos ao menos uma vez ao ano, sendo a proporção determinada por seu estatuto social ou, na ausência dele, 50% do lucro líquido ajustado — conforme prevê a Lei das S/A.
Esses pagamentos são proporcionais à quantidade de ações detidas por cada investidor e podem ser estratégicos para atrair novos sócios. Muitas empresas utilizam dividendos elevados como diferencial competitivo no mercado.
O que avaliar ao investir em ações com dividendos?
Dois indicadores são fundamentais: o payout (percentual do lucro distribuído) e o dividend yield (relação percentual entre o dividendo e o preço da ação). No entanto, é importante ir além das métricas.
Uma análise fundamentalista da empresa é essencial para avaliar se ela continuará lucrativa e sustentável a longo prazo. Perspectivas do setor, cenários econômicos e o perfil do investidor também devem compor essa análise. Afinal, ações com bom histórico de dividendos ainda carregam riscos — e o retorno passado nunca é garantia de rentabilidade futura.


