Unimed-BH aposta R$ 60 milhões para acelerar inovação em saúde com startups

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Em uma movimentação estratégica que reforça o protagonismo da inovação no setor de saúde, a Unimed-BH anunciou a criação de um programa de investimento em startups com foco exclusivo em healthtechs. A iniciativa, construída em parceria com a Abertta Saúde, prevê a aplicação de R$ 60 milhões ao longo de quatro anos, consolidando a entrada da operadora no ecossistema de Corporate Venture Capital (CVC).
Os aportes serão realizados via Horizontes Hub, braço de inovação aberta da cooperativa mineira sediado em Belo Horizonte. O hub conecta médicos, startups, empresas e universidades com o objetivo de fomentar soluções inovadoras em áreas como atenção primária, medicina preventiva, experiência do paciente, saúde corporativa, gestão de doenças crônicas, educação médica e automação de prontuários.
Até o momento, duas startups já receberam investimento: a Dr. Scriba, especializada em inteligência artificial para registro clínico, e a SOI, plataforma de suporte à gestão de tratamentos oncológicos.

Investimento com foco na transformação digital do setor

O novo programa representa um desdobramento natural de uma jornada iniciada há mais de uma década. “Há 10 anos, quando criamos nosso Centro de Inovação, já deixamos claro o quanto acreditamos na inovação aberta e colaborativa”, afirma Frederico Peret, diretor-presidente da Unimed-BH. A iniciativa atual, segundo ele, é uma forma de diversificar e aprofundar a estratégia, agora com foco também na criação de novos negócios com potencial de impacto direto no sistema de saúde.
A expectativa é realizar entre sete e oito investimentos ao longo do período, embora o número possa variar conforme o desempenho do portfólio e a evolução das oportunidades. A definição formal do modelo de CVC ainda está em curso e será divulgada nas próximas semanas.
A parceria com a Abertta Saúde — associação ligada ao grupo ArcelorMittal que oferece assistência à saúde para colaboradores e dependentes — foi oficializada em maio de 2025 e será peça-chave no modelo de governança da iniciativa.

Dr. Scriba: IA como aliada do prontuário médico

Fundada em 2023, a Dr. Scriba tem como missão otimizar o tempo dos médicos com o uso de inteligência artificial. A startup desenvolveu uma ferramenta que automatiza o preenchimento de registros clínicos, utilizando linguagem natural e priorizando segurança e precisão.
A healthtech captou aproximadamente R$ 1 milhão em uma rodada liderada pela Unimed-BH e com participação de investidores-anjo. Segundo os fundadores, Bruno Camis e Danilo Dias, os recursos serão utilizados para aprimoramento da tecnologia e expansão do modelo de negócios — que agora avança para atender clínicas, hospitais e operadoras de saúde no modelo B2B.
“Hoje, muitos modelos de IA são baseados em LLMs genéricos, o que pode gerar erros graves em nomes de medicamentos ou diagnósticos”, explica Danilo. A Dr. Scriba se diferencia por ter um modelo treinado especificamente para o setor médico, o que aumenta a acurácia dos registros e melhora a qualidade das decisões clínicas.
A startup também faz parte do Eretz.bio, hub de inovação do Hospital Albert Einstein, o que ampliou suas conexões com potenciais clientes e parceiros. “Com a chancela da Unimed-BH e do Einstein, ganhamos credibilidade e acesso a dados valiosos para o desenvolvimento contínuo da plataforma”, afirma Bruno.

SOI: oncologia com foco em dados e precisão

A segunda startup investida, a SOI, atua no segmento oncológico e desenvolveu uma plataforma que apoia decisões clínicas com base em dados reais do sistema de saúde brasileiro. O modelo combina dados de eficácia, tolerância e custo, com o objetivo de recomendar tratamentos oncológicos mais assertivos e sustentáveis.
A startup conta com um time de especialistas dedicados à análise contínua de dados clínicos e operacionais, entregando recomendações que consideram as particularidades dos pacientes e dos protocolos de saúde pública e privada. A tecnologia é voltada principalmente para operadoras de saúde, hospitais e centros especializados em oncologia.

Rascunho de um CVC nacional

Embora a Unimed-BH seja uma das pioneiras do sistema Unimed a atuar com CVC estruturado, há movimentos semelhantes em outras cooperativas do grupo. A Unimed do Brasil estuda a criação de um fundo nacional com tese de investimento própria para healthtechs.
Em entrevista ao portal Startups, o superintendente de tecnologia e inovação da Unimed Brasil, Mauricio Cerri, afirmou que a intenção é criar um modelo que permita investimentos minoritários estruturados e, eventualmente, a participação direta dos médicos cooperados como investidores.
“Já temos cooperativas que realizam aportes por meio de veículos próprios. A ideia agora é ampliar isso em nível nacional”, declarou Cerri. A estruturação do fundo nacional deve avançar a partir do segundo semestre de 2025.

Um mercado com demandas urgentes

O avanço das operadoras de saúde no ecossistema de inovação não é um movimento isolado. Com o crescimento das demandas por eficiência operacional, personalização da jornada do paciente e redução de custos em tratamentos crônicos e de alta complexidade, startups com soluções escaláveis e tecnológicas se tornam cada vez mais atrativas.
Nesse contexto, a Unimed-BH posiciona-se como uma das primeiras operadoras a adotar uma abordagem sistemática de venture capital, atuando não apenas como investidora, mas como parceira estratégica na validação e escalabilidade das soluções.
“Nosso foco é construir soluções que impactem a qualidade da assistência médica no Brasil”, finaliza Frederico Peret. “Ao investir em startups, aceleramos esse processo, beneficiando médicos, operadoras e principalmente os pacientes.”

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