Sustentabilidade além do discurso: Giuliana Morrone defende práticas ESG para a perenidade dos negócios

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Sustentabilidade como valor estratégico para empresas

Com mais de três décadas dedicadas ao jornalismo e à cobertura de temas socioeconômicos, Giuliana Morrone reforça uma visão cada vez mais aceita no mercado: a longevidade dos negócios depende diretamente de estratégias sustentáveis. A jornalista esteve em Vitória para o lançamento da nova edição do Prêmio Biguá de Sustentabilidade, que a partir deste ano ganha abrangência estadual e se propõe a valorizar iniciativas ESG nas empresas e instituições capixabas. Para ela, o ESG deve ser mais do que um discurso bem-feito – é uma exigência do consumidor moderno e uma resposta aos desafios globais.
O Prêmio Biguá, criado há 14 anos pela TV Gazeta Sul, evoluiu ao longo do tempo para reconhecer não apenas projetos ambientais pontuais, mas também estratégias mais amplas de impacto social e governança responsável. A edição 2025 contará com etapas regionais e uma final estadual, destacando as melhores práticas do Espírito Santo. Morrone, autora do livro Mitos e Verdades sobre o ESG, afirma que, além do compromisso com o planeta, a sustentabilidade gera diferencial competitivo, ajudando a consolidar marcas em um mercado cada vez mais consciente.
Giuliana acredita que é preciso encarar o ESG como um pilar essencial para garantir a sobrevivência e o crescimento dos negócios em um cenário de mudanças climáticas, pressões sociais e novas expectativas regulatórias. Para ela, empresas que não internalizarem esses conceitos correm o risco de perder relevância frente a concorrentes mais alinhados às demandas da sociedade.

O papel do consumidor e a transformação do mercado

Em entrevista, Giuliana Morrone também destacou a importância do consumidor no avanço da pauta ESG. Pesquisas recentes mostram que as novas gerações tendem a dar preferência a produtos e serviços sustentáveis, mesmo que ainda considerem o preço um fator decisivo. No entanto, ela ressalta que o peso da mudança não deve recair apenas sobre o consumidor. É a indústria, com apoio de políticas públicas e inovação, que precisa liderar essa transição para uma economia mais circular e regenerativa.
A economia circular é um dos conceitos que mais entusiasma a jornalista: um sistema onde os recursos naturais são reutilizados e reinseridos no ciclo produtivo, minimizando o desperdício e o impacto ambiental. Para Giuliana, ainda vivemos um modelo linear – de produção, consumo e descarte – que não se sustenta a longo prazo. Ela defende que governos e empresas invistam em design de produtos sustentáveis, embalagens recicláveis e inovação tecnológica para transformar essa realidade.
Com consumidores cada vez mais atentos e exigentes, as empresas precisam demonstrar, na prática, seu compromisso com valores ambientais e sociais. Giuliana lembra que um simples vídeo viralizado por um cliente pode destruir a reputação de uma marca que pratique greenwashing, ou seja, que apenas finge adotar práticas sustentáveis sem resultados concretos. “Vivemos na era da transparência. O público consegue identificar o que é genuíno e o que é apenas marketing”, afirma.

Greenwashing e os riscos reputacionais

Um dos conceitos mais discutidos no universo ESG, segundo Giuliana, é justamente o greenwashing. Esse termo, cada vez mais popular, refere-se à prática de mascarar ações de marketing como se fossem políticas sustentáveis efetivas, sem que realmente tragam impacto positivo para o meio ambiente ou para a sociedade. Morrone alerta que essa estratégia é insustentável na era digital, em que qualquer incoerência entre discurso e prática é rapidamente desmascarada por consumidores e pela imprensa.
Ela exemplifica que não basta investir em campanhas publicitárias com mensagens verdes enquanto a cadeia produtiva permanece nociva ao planeta ou às comunidades. A verdadeira transformação começa de dentro para fora, alinhando todos os processos internos a princípios ESG claros e auditáveis. Para isso, é necessário um esforço coordenado entre governança, compliance e comunicação estratégica.
Morrone reforça que uma empresa que aposta na transparência e na comunicação consistente sobre suas ações e resultados consegue fidelizar clientes e ganhar vantagem competitiva. O consumidor atual valoriza marcas comprometidas e está disposto a pagar mais por produtos sustentáveis, desde que identifique autenticidade nas iniciativas. Essa postura, além de mitigar riscos legais e reputacionais, também abre novas oportunidades de negócios.

O Prêmio Biguá como estímulo à inovação responsável

O Prêmio Biguá de Sustentabilidade simboliza exatamente essa convergência entre inovação e responsabilidade. Ao expandir sua abrangência para todo o estado, a premiação busca estimular mais empresas e instituições a adotarem soluções ESG que gerem impacto positivo na sociedade e no ambiente. Giuliana destaca que premiações como essa são importantes não só para valorizar quem já atua corretamente, mas também para inspirar outras organizações a iniciarem essa jornada.
A jornalista lembra que reconhecer e divulgar boas práticas ajuda a criar um efeito multiplicador, incentivando mais empresários a perceberem que sustentabilidade é um investimento e não apenas um custo. Além disso, os vencedores se tornam exemplos para o mercado, demonstrando que é possível conciliar crescimento econômico, geração de empregos e preservação ambiental.
Ao lado da Rede Gazeta, Giuliana pretende reforçar a narrativa de que ESG não é apenas uma sigla da moda, mas um modelo de negócios necessário para a construção de um futuro mais justo e resiliente. A etapa estadual do prêmio, prevista para 2025, reunirá os melhores projetos capixabas e servirá como vitrine para práticas que podem ser replicadas em outras regiões do Brasil.

Lições para empresas: ESG como vetor de longevidade

O recado central da palestra de Giuliana Morrone em Vitória foi claro: não há futuro para negócios que ignorem as demandas ambientais, sociais e de governança. Empresas que querem crescer e permanecer relevantes precisam investir em inovação responsável, respeitar a regulação e atender às expectativas de clientes e comunidades.
Ela explica que as corporações mais bem-sucedidas no século XXI são aquelas que conseguem equilibrar lucro e propósito, entregando valor econômico e social simultaneamente. Isso requer liderança com visão de longo prazo, abertura para aprender com os erros e disposição para transformar processos, produtos e cultura organizacional.
Para Giuliana, sustentabilidade é uma jornada que não se esgota e deve ser revisitada constantemente. A integração entre empresas, governo e sociedade é fundamental para alcançar os objetivos globais de desenvolvimento sustentável. “Quando pensamos no legado que queremos deixar para as próximas gerações, não há outra escolha senão mudar”, conclui.

Fontes :

Rede Gazeta
Livro Mitos e Verdades sobre o ESG – Giuliana Morrone
Pacto Global da ONU
Instituto Ethos
FGVces – Centro de Estudos em Sustentabilidade

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