A crise que exige ação imediata nas empresas
Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a saúde mental e prevenção do suicídio, acende o alerta para uma realidade inquietante no ambiente corporativo. Em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, a maior marca da década — um aumento de 68% em relação ao ano anterior, com ansiedade e depressão na linha de frente.
Adoecimento: fadiga, síndrome de burnout e pânico
O psiquiatra Vicente Beraldi Freitas, conhecido como Dr. Estresse, alerta que a pandemia desestruturou a relação das pessoas com o trabalho e consigo mesmas, desencadeando crises emocionais frequentes em empresas. Ele reforça que, nos casos mais críticos — surtos, ataques de pânico e crises de descontrole —, os prejuízos são humanos, sociais e econômicos, exigindo protocolos corporativos eficazes e estruturados.
Primeiros Socorros Psicológicos: o suporte urgente necessário
Os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) representam a primeira linha de resposta a uma crise emocional: atitudes imediatas como escuta sem julgamento, ambiente seguro, respiração guiada e encaminhamento a atendimento especializado. “Acolher não é resolver, é estabilizar o emocional”, assinala Beraldi.
Das emergências à prevenção estruturada
Além do atendimento emergencial, as empresas precisam adotar estratégias preventivas robustas. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor a partir de 26 de maio de 2025, exige que as organizações incluam a avaliação de riscos psicossociais, como estresse, assédio moral e sobrecarga, em seus programas de segurança e saúde ocupacional. Durante o primeiro ano (até maio de 2026), a fiscalização será orientadora, sem aplicação imediata de penalidades.
O impacto humano e o custo para as empresas
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, os transtornos mentais causam uma perda global anual de US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, observou-se que 64% dos afastamentos foram de mulheres — historicamente sobrecarregadas pela dupla jornada de trabalho. No ambiente corporativo, a negligência resulta em clima ruim, aumento de rotatividade, baixa motivação e mais custos.
Caminhos para a transformação real
Especialistas sugerem que ações isoladas como campanhas de conscientização já não bastam. É preciso:
– Criar grupos de escuta e espaços de convivência emocional constantes.
– Formar uma cultura organizacional que valorize o bem-estar, com políticas efetivas e persistentes.
– Envolver lideranças e colaboradores na formulação de políticas internas, inclusive a partir da CIPA ou canais de denúncia anônimos.
– Capacitar equipes de RH e gestores para atuação preventiva e resposta adequada a crises.
Empresas como parte da solução
Diante da crise silenciosa que assola o ambiente de trabalho, o silêncio e a omissão deixam de ser opções. Empresas bem estruturadas, que agem com empatia, respeitam o limite emocional dos colaboradores e implementam políticas eficazes, não apenas gerenciam riscos — preservam vidas.
Fontes
– brasil.un.org
– jornal.usp.br
– poder360.com.br
– agenciagov.ebc.com.br
– sesipr.org.br
– seconci.rio
– noticias.portaldaindustria.com.br
– anfarmag.org.br
– secovi.com.br
– Ministério da Saúde – Saúde Mental em Dados (SMD)
– Agência Brasil / Agência EBC
– Poder360
– MTE – Ministério do Trabalho e Emprego (orientações sobre NR-1 e riscos psicossociais)


