A Oi iniciou a retirada de suas antigas redes de cobre de telefonia fixa em todo o Brasil, dando início a um processo de desmobilização de um dos ativos mais simbólicos da empresa. A sucata será comercializada como forma de gerar caixa e reduzir custos, em meio ao segundo processo de recuperação judicial da operadora.
O desligamento das redes é um reflexo direto da mudança regulatória aprovada pela Anatel, que converteu o modelo de concessão da telefonia fixa em autorização. Com isso, a operadora foi liberada da obrigação de manter as infraestruturas obsoletas, cuja manutenção já vinha sendo deficitária há anos.
Venda será parcial e envolve diferentes estruturas
Segundo o plano de recuperação, o cobre das redes subterrâneas será vendido à V.tal, empresa de telecomunicações pertencente ao BTG Pactual. Já os cabos aéreos, instalados em postes, seguirão sob controle da Oi, que pretende vendê-los progressivamente, conforme forem extraídos.
Durante teleconferência com investidores, o presidente da Oi, Marcelo Milliet, confirmou que a operação trará impacto positivo tanto pela entrada de recursos quanto pela economia com manutenção. Contudo, ele não soube estimar quanto será arrecadado, apontando o custo elevado de extração e a ampla dispersão geográfica dos cabos como obstáculos.
Incertezas e outras fontes de receita
A empresa ainda aguarda decisão sobre uma arbitragem contra a União, onde cobra mais de R$ 50 bilhões por perdas relacionadas à manutenção da telefonia fixa. Milliet sinalizou expectativa de uma decisão parcial ainda este ano, mas sem prazos concretos.
Outra iniciativa para gerar caixa envolve a venda de cerca de 7 mil imóveis que ficaram ociosos após o fim das operações de telefonia fixa. Os bens incluem desde edifícios em áreas nobres a terrenos rurais, mas o valor total de venda ainda é incerto devido à diversidade dos ativos.
“Nova Oi” foca em serviços e reestruturação
A estratégia da “Nova Oi” é se tornar uma companhia mais leve e eficiente, com foco em conectividade e TI via a Oi Soluções, voltada ao setor corporativo. Apesar da retração nas receitas com serviços baseados em cobre, a empresa busca fortalecer áreas com maior margem de lucro.
Após vender sua operação de banda larga e TV por assinatura em 2024 (e a internet móvel em 2022), a Oi ainda mantém subsidiárias como Serede (infraestrutura), Tahto (call center) e Oi Services (BPO), vistas como promissoras para geração de valor.
Apesar de um lucro contábil de R$ 9,6 bilhões em 2024 — decorrente de um desconto de 70% na dívida com credores — a empresa teve Ebitda negativo de R$ 1,5 bilhão e receita líquida de R$ 8,3 bilhões, uma queda de 14,2%. A Nova Oi, por sua vez, registrou R$ 3,1 bilhões em receita, com retração de 26% frente ao ano anterior.


