Candy Crush aposta em inteligência artificial para manter o vício dos jogadores por mais 18 mil fases

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Com mais de 18 mil fases lançadas desde 2012, o Candy Crush Saga continua sendo um dos games mobile mais populares do mundo. Para manter o interesse dos jogadores e garantir atualizações constantes, a desenvolvedora sueca King tem recorrido cada vez mais à inteligência artificial. A tecnologia já faz parte central do processo de criação de conteúdo e está ajudando a manter o jogo vivo — e lucrativo — mesmo após mais de uma década de existência.
Segundo Todd Green, gerente geral da franquia, o uso da IA é essencial para sustentar o ritmo de atualizações. A equipe da King é capaz de produzir centenas de novos níveis por semana, ajustando automaticamente a dificuldade das fases e analisando a experiência dos jogadores com precisão cirúrgica. O objetivo: manter o jogo desafiador e divertido, sem ser frustrante ou repetitivo.
> “Seria extremamente difícil atualizar mais de 18 mil níveis sem esse suporte”, afirmou Green em entrevista à Inc Magazine.

IA como ferramenta de criação e análise

A inteligência artificial utilizada pela King atua em diversas frentes do desenvolvimento. Ela contribui para:
– Automatizar partes do processo criativo, como a construção de fases;
– Analisar o comportamento dos jogadores;
– Calibrar níveis com base em dados de desempenho;
– Medir níveis subjetivos de “diversão” e engajamento com base em métricas comportamentais.
Com o suporte da IA, os desenvolvedores conseguem focar em decisões estratégicas, como design visual e inovações no jogo, enquanto as máquinas cuidam da otimização técnica e analítica.
Além disso, a tecnologia ajuda a identificar pontos de abandono, níveis que causam frustração e sequências que maximizam o engajamento, com base em bilhões de interações diárias dos usuários.

Impacto financeiro de um jogo aparentemente simples

O sucesso de Candy Crush não é apenas cultural — é também bilionário. Em 2024, o mercado de games nos Estados Unidos movimentou cerca de US$ 51,3 bilhões, e Candy Crush continua sendo um dos principais motores de receita da King. A franquia ainda figura no topo dos rankings da App Store e do Google Play, com milhões de jogadores ativos diariamente.
O modelo de negócio free-to-play, baseado em compras dentro do aplicativo, se mostra eficaz há anos. Vidas extras, movimentos adicionais e boosters especiais são comercializados para jogadores que desejam avançar com mais rapidez.
Agora, com o uso intensivo de IA, o jogo consegue manter o equilíbrio perfeito entre desafio e recompensa, evitando que os jogadores abandonem a experiência — o que garante maior tempo de engajamento e mais oportunidades de monetização.

A IA como motor da longevidade

Para além de Candy Crush, o caso da King ilustra como a inteligência artificial pode ser uma alavanca poderosa para a longevidade de produtos digitais. Em vez de lançar novos jogos para manter o interesse dos usuários, a empresa escolheu renovar e expandir um produto já consolidado, investindo em tecnologia para torná-lo continuamente atrativo.
A IA permite testar novas fases em tempo real com grupos de jogadores, entender rapidamente quais funcionam melhor e aplicar ajustes em escala. Isso evita o desgaste natural que a maioria dos jogos sofre após alguns anos e transforma Candy Crush em um produto dinâmico, personalizável e em constante evolução.

Conhecimento técnico não é mais barreira

A lição que a King deixa vai além do mundo dos games. O caso mostra que não é necessário ser programador para aproveitar o potencial da inteligência artificial. Profissionais de diversas áreas podem — e devem — entender como aplicar a IA em seus processos, seja para automação, análise ou criação de experiências mais personalizadas.
Segundo especialistas, as ferramentas de IA hoje são acessíveis e estão cada vez mais integradas aos fluxos de trabalho em áreas como marketing, RH, logística, atendimento ao cliente e gestão de produtos.
O diferencial competitivo nos próximos anos será saber onde, como e quando aplicar essas tecnologias para gerar valor — seja em um jogo de doces ou em qualquer outro setor.

Mais diversão, menos esforço: o futuro do entretenimento digital

Com o lançamento da 300ª versão do Candy Crush, a King reforça o compromisso com a longevidade da franquia. A expectativa é que o jogo continue evoluindo e que a IA ganhe ainda mais espaço nos bastidores do entretenimento digital.
A King não revelou detalhes sobre novas aplicações da tecnologia, mas já testa soluções baseadas em modelos generativos, capazes de criar variações de fases, personagens e até novos tipos de interação com os jogadores.
Se depender da inteligência artificial, o Candy Crush ainda tem muitas vidas pela frente — e segue provando que, no mundo digital, evoluir é mais importante do que reinventar.

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