Cresce o ceticismo entre executivos sobre práticas ambientais
O interesse por ESG (meio ambiente, social e governança) experimentou uma queda expressiva entre líderes corporativos no Brasil em 2025. Um estudo da Data‑Makers em parceria com CDN revelou que, em um ano, o índice de priorização do tema pelos executivos recuou significativamente . Esse fenômeno, ampliado pela “onda anti‑ESG”, reflete tensões entre obrigações regulatórias e desafios macroeconômicos, como juros elevados, fiscal restritivo e incertezas globais que pesam nas decisões das empresas.
Entre o compromisso e a pressão por resultados
Segundo levantamento do Valor baseado em pesquisa com 401 empresários — sendo 42% em cargos de liderança — oito em cada dez companhias brasileiras adotam práticas ESG, mas apenas um terço delas consegue mensurar o retorno financeiro dessas iniciativas . A dificuldade em demonstrar impacto real tem gerado desmotivação e queda no engajamento dos executivos.
Dois fatores principais foram identificados: 58% apontam a dificuldade de comprovar o retorno financeiro, enquanto 54% citam o baixo apoio da alta gestão para continuar priorizando ESG .
Pressão macroeconômica reduz apetite por ESG
A economia brasileira enfrenta ambiente fiscal apertado, dívida pública elevada (aproximadamente 76,5% do PIB) e taxa Selic alta (14,75%), fatores que pressionam o custo de capital e distorcem as prioridades das empresas . Nessa conjuntura, muitos gestores reduzem investimentos em plataformas de sustentabilidade em prol de liquidez e eficiência de curto prazo — alinhando-se ao cenário de queda no interesse por ESG.
Regulação impulsiona, mas impacto qualitativo ainda questionado
Apesar das resistências, o Brasil vem avançando em relatórios de sustentabilidade: 93% das grandes empresas divulgam práticas ESG, colocando o país no top 20 global nesse aspecto. No entanto, 23% delas não reconhecem riscos climáticos como prioridades, indicando superficialidade no tratamento de temas centrais .
Esse panorama evidencia uma duplicidade: a exigência regulatória estimula a prática, mas a efetiva incorporação estratégica da sustentabilidade ainda encontra barreiras internas nas corporações.
Caminhos para recuperação do interesse
Especialistas e entidades concordam que o caminho para reverter o recuo no interesse por ESG passa por:
1. Demonstrar retorno financeiro claro — por meio de métricas confiáveis e indicadores embasados, seguindo melhores práticas como as normas ISSB e exigências da CVM.
2. Reforçar o compromisso da liderança — incluindo ESG nos objetivos estratégicos e na cultura corporativa, tornando-o parte da governança superior.
3. Aproveitar a agenda global por competitividade — como no caso brasileiro, que combina redução do desmatamento com potencial de captação de recursos via linhas verdes e mercados de carbono.
4.
Panorama regional: contraste entre média e grandes empresas
Enquanto 71% das médias empresas planejam investir em ESG, segundo levantamento da Grant Thornton de 2024, o recuo entre líderes nas grandes organizações mostra uma aparente desconexão entre intenção e prática. Isso reforça a necessidade de reforçar a consistência em todas as faixas de mercado.
Conclusão
O recuo no interesse por ESG entre executivos brasileiros evidencia que a agenda não pode estar condicionada ao ambiente externo ou à obrigação legal. Para manter a sustentabilidade como vetor de competitividade, é preciso integrar métricas robustas de retorno, reforçar a liderança e coesionar propósito e lucro. O desafio é encontrar equilíbrio entre resultados financeiros e responsabilidade socioambiental em um cenário econômico volátil.
Fontes :
– Mundo do Marketing – Estudo sobre recuo do interesse por ESG
– Valor – Pesquisa com empresários sobre ESG e retorno financeiro
– Grant Thornton – Levantamento sobre intenção de investimentos ESG
– KPMG – Ranking global de relatórios ESG e qualidade de divulgação
– Banco Mundial – Cenário macroeconômico e dívida pública do Brasil
– ABSOLAR / Green finance – Dados sobre ESG no Brasil e fontes de financiamento climático


