Empresário que busca juventude eterna planeja vender empresa e lança nova religião

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Bryan Johnson cogita encerrar ou vender a Blueprint

Bryan Johnson, empreendedor americano conhecido por sua obsessão pela juventude eterna, revelou recentemente em entrevista à revista Wired que está considerando fechar ou vender sua startup, a Blueprint. Johnson esclareceu que a decisão não decorre de necessidade financeira, mas sim da percepção de que sua empresa passou a ser vista como um obstáculo à sua credibilidade filosófica.
A Blueprint é uma startup criada por Johnson em 2021 com o objetivo de desenvolver soluções para retardar ou reverter o envelhecimento. Com um custo anual estimado em US$ 2 milhões para seu programa pessoal, Johnson chegou a realizar transfusões sanguíneas de seu filho, procedimento que abandonou após seis meses por falta de resultados tangíveis.
Atualmente, a Blueprint vende produtos direcionados ao bem-estar e longevidade, incluindo a bebida “longevity mix”, comercializada por US$ 55, e uma alternativa ao café denominada “Super Shrooms”, ao custo de US$ 42. No entanto, segundo Johnson, manter a empresa ativa se tornou uma distração para sua missão filosófica principal.

“Don’t Die”: uma nova religião com foco na longevidade

Em março de 2025, Johnson anunciou no X (antigo Twitter) o lançamento de sua própria religião, batizada de “Don’t Die” (Não Morra). O nome remete ao slogan utilizado por Johnson em um documentário na Netflix e em outros eventos ligados à longevidade. Ele imagina um futuro no século 25, no qual a humanidade tenha superado a morte por meio da fusão com inteligência artificial.
Segundo Johnson, o conflito entre sua empresa e sua filosofia tornou-se evidente, especialmente porque sua iniciativa, inicialmente criada para ajudar amigos interessados em sua rotina de saúde, passou a ser percebida de maneira mais comercial do que filosófica. “Eu não quero fazer essa troca. Não vale a pena para mim”, declarou à Wired, enfatizando que deseja se dedicar integralmente à missão espiritual e filosófica que defende.
Johnson busca estabelecer uma nova forma de pensar a longevidade, posicionando-se como um líder filosófico, e vê a religião “Don’t Die” como um meio de impulsionar mudanças significativas no comportamento humano em relação à vida e à saúde.

Desafios financeiros e estruturais da Blueprint

A Blueprint também enfrenta dificuldades financeiras, conforme relatado pelo jornal The New York Times em março deste ano. A publicação indicou que a empresa enfrentava um déficit mensal de cerca de US$ 1 milhão para atingir o equilíbrio financeiro. Johnson, entretanto, negou uma crise, esclarecendo que havia meses de lucro intercalados com meses de prejuízo.
Além disso, o empresário destacou que a percepção negativa em torno do viés comercial da Blueprint compromete sua autoridade em questões filosóficas sobre longevidade e saúde. Johnson busca assim distanciar-se da imagem de vendedor de suplementos e aproximar-se da figura de pensador e influenciador em mudanças fundamentais sobre a saúde humana.
Sua filosofia prega a completa personalização dos cuidados com a saúde, utilizando um sistema rigorosamente baseado em dados que monitoram dezenas de biomarcadores regularmente. Johnson defende que sua metodologia baseada em dados oferece resultados superiores aos métodos tradicionais, com maior segurança e eficácia.

Rotina rigorosa e polêmicas envolvendo biohacking

Johnson reside sozinho em Venice, Califórnia, após seu divórcio, dedicando-se a uma rotina extrema e controlada por dados científicos. Sua dieta, baseada em plantas, totaliza 2.250 calorias diárias, aproximadamente 10% abaixo de suas necessidades energéticas, complementada por jejum intermitente. Além disso, seu programa inclui mais de 25 tipos de exercícios semanais, abrangendo treinos de alta intensidade e resistência.
Outro aspecto controverso de sua rotina são as terapias experimentais, como oxigenoterapia hiperbárica, terapias com luz infravermelha e vermelha, e tratamento com ondas de choque para regeneração celular. Embora Johnson mantenha uma equipe médica com mais de 30 especialistas que monitoram rigorosamente seu progresso, a eficácia e segurança dessas técnicas são amplamente debatidas na comunidade científica.
Especialistas alertam sobre os riscos do biohacking, prática que envolve técnicas experimentais sem comprovação científica robusta. Johnson reconhece os desafios dessa abordagem extrema, mas defende que a inovação científica e a personalização extrema dos cuidados são fundamentais para redefinir a saúde e o envelhecimento, apesar das críticas.

Fontes:

– Wired
– The New York Times
– Netflix

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