Em um momento de forte retomada e expansão do setor de turismo, o Brasil registrou um marco inédito: 4,4 milhões de turistas internacionais visitaram o país entre janeiro e abril de 2025, segundo dados do Ministério do Turismo e da Embratur. Este é o maior volume de visitantes estrangeiros já registrado para o período desde o início da série histórica, em 1970, e representa 64% da meta anual estipulada pelo Plano Nacional de Turismo (PNT), que prevê a chegada de 6,9 milhões de visitantes até o fim deste ano.
O número também indica um crescimento expressivo em relação ao mesmo período de 2024, com alta de 51% no fluxo de estrangeiros, e um salto ainda mais impressionante no mês de abril, quando foram contabilizadas 686.239 entradas internacionais — aumento de 72% na comparação com abril do ano passado.
Argentina lidera o ranking de visitantes
A Argentina mantém-se como o principal emissor de turistas para o Brasil, com mais de 2,1 milhões de visitantes somente até abril, o que representa cerca de 48% do total do fluxo internacional no quadrimestre. Em segundo lugar aparece o Chile, com 333.592 visitantes, seguido pelos Estados Unidos, com 305.932 entradas.
Os países europeus também demonstraram crescimento considerável. Portugal, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Espanha somaram juntos 481.986 visitantes no período, mostrando o potencial e o apelo do Brasil no mercado europeu. O cenário aponta para um ambiente favorável à consolidação do país como destino competitivo globalmente.
Metas ambiciosas e planejamento estratégico
O resultado expressivo reforça a viabilidade das metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Turismo, que tem como objetivo atingir 8,1 milhões de turistas estrangeiros até 2027. Segundo o ministro do Turismo, Celso Sabino, o desempenho de 2025 já mostra que o país está no caminho certo para consolidar-se como líder do turismo na América Latina.
“O PNT traçou metas ambiciosas, e ver esse avanço já nos primeiros quatro meses do ano reforça nosso compromisso em tornar o Brasil uma referência mundial em turismo, com impacto direto na geração de empregos, no desenvolvimento regional e na valorização cultural do país”, afirmou o ministro.
Promoção internacional estruturada
De acordo com Marcelo Freixo, presidente da Embratur, os bons resultados são fruto de uma estratégia coordenada de promoção e articulação institucional. A agência prepara o lançamento do Plano Internacional de Marketing Turístico do Brasil, um novo marco que irá transformar a promoção internacional em política de Estado, com metas de longo prazo e campanhas integradas com o setor privado e governos estaduais.
“O turismo internacional movimenta a economia de forma transversal: impulsiona comércio, transporte, cultura, gastronomia, geração de empregos e arrecadação. Cada novo visitante representa receita direta e indireta que chega às cidades brasileiras”, destaca Freixo.
O plano incluirá ações em feiras internacionais, fortalecimento da presença digital do Brasil em mercados estratégicos e ampliação de campanhas nos principais países emissores, com ênfase em sustentabilidade, diversidade cultural e hospitalidade brasileira como diferenciais competitivos.
Impactos econômicos e sociais
O crescimento do turismo internacional não representa apenas números de entrada — ele também movimenta cadeias produtivas locais, fomenta a criação de empregos e distribui renda de forma descentralizada, especialmente em regiões que dependem fortemente da atividade turística.
Dados do Ministério do Turismo indicam que cada turista estrangeiro que visita o Brasil gasta, em média, US$ 900 durante sua estadia, gerando impacto direto em setores como hotelaria, transporte, alimentação, entretenimento e serviços.
Esse impulso beneficia tanto as grandes capitais quanto destinos emergentes e de natureza, como as regiões amazônica, pantaneira, serrana e litorânea, contribuindo para o desenvolvimento regional e a preservação ambiental — pilares cada vez mais relevantes no turismo global.
Desafios e oportunidades
Apesar do avanço significativo, especialistas do setor alertam para a necessidade de ampliação de infraestrutura, qualificação da mão de obra e simplificação de processos migratórios como pontos-chave para garantir a manutenção do crescimento.
Outro desafio é equilibrar o crescimento do turismo com práticas sustentáveis, garantindo que o aumento do fluxo internacional não prejudique ecossistemas sensíveis nem pressione serviços urbanos em excesso. A nova fase do turismo exige planejamento de longo prazo, investimentos em mobilidade e inclusão digital dos destinos.
O Brasil no radar do mundo
O sucesso do Brasil em atrair visitantes internacionais está diretamente ligado à diversidade de experiências que o país oferece: sol e praia, ecoturismo, cultura afro-brasileira, gastronomia regional, esportes de aventura, turismo religioso e muito mais.
Esse leque de opções, combinado com a vocação natural do brasileiro para acolher, tem feito do país uma escolha estratégica para turistas que buscam autenticidade, natureza exuberante e experiências transformadoras.
À medida que novas rotas aéreas são abertas, eventos internacionais voltam a acontecer com força e o Brasil retoma protagonismo em fóruns globais, o cenário é favorável para que o turismo internacional atinja patamares históricos nos próximos anos.


