Em um início de ano marcado pela recuperação econômica e pela movimentação crescente em destinos turísticos, o setor de turismo brasileiro consolidou-se como um dos principais motores de geração de emprego no país. De acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e consolidados pelo Ministério do Turismo, foram criadas 62.481 vagas com carteira assinada em atividades ligadas ao turismo no primeiro trimestre de 2025.
O dado, revelado na véspera do Dia do Trabalhador (1º de maio), confirma uma tendência de alta já observada no ano anterior e mostra que o turismo vem desempenhando um papel central na inclusão produtiva, no desenvolvimento regional e na valorização da cultura local. Alojamento, alimentação, transporte rodoviário e cultura lideraram a geração de postos de trabalho formais.
Setores de destaque: onde estão os empregos
As atividades de alojamento e alimentação foram as que mais contribuíram para a geração de empregos, respondendo por 27.333 novos postos de trabalho no trimestre. Em seguida, o transporte rodoviário de passageiros somou 14.590 vagas, refletindo a retomada da mobilidade urbana e intermunicipal. O setor de arte e cultura, diretamente ligado à oferta turística e à economia criativa, gerou 9.493 empregos formais no período.
Esses números apontam para uma recuperação robusta da cadeia do turismo, que havia sido uma das mais afetadas pela pandemia da Covid-19. Com o avanço da vacinação, a retomada de eventos e o crescimento do turismo doméstico, o setor se reposiciona como um dos mais dinâmicos na geração de trabalho e renda.
Declaração oficial: turismo como motor do desenvolvimento
Segundo o ministro do Turismo, Celso Sabino, os números refletem mais do que a retomada do setor — evidenciam seu potencial como força propulsora de oportunidades socioeconômicas. “O turismo é uma força propulsora de oportunidades e desenvolvimento social em todas as regiões do Brasil. Estamos falando de um setor que gera empregos, valoriza a cultura local e movimenta a economia de forma inclusiva e sustentável”, afirmou.
A fala do ministro destaca o compromisso do governo federal em promover políticas públicas que estimulem o crescimento do setor e ampliem o acesso ao mercado formal, especialmente para públicos historicamente marginalizados, como jovens, mulheres e trabalhadores de baixa renda.
Perfil dos trabalhadores: jovens e mulheres lideram admissões
O setor de serviços — que inclui as atividades turísticas — registrou um saldo positivo de 362.866 contratações formais no primeiro trimestre de 2025. Desse total, 240.444 foram mulheres e 122.422 homens. A maior parte das admissões foi de jovens entre 18 e 24 anos, com ensino médio completo ou ensino superior.
Esse dado revela o potencial do turismo como porta de entrada no mercado de trabalho formal, sobretudo para jovens em busca do primeiro emprego ou da inserção em uma carreira ligada à hospitalidade, eventos, gastronomia, transportes e cultura.
Além disso, a representatividade feminina entre os contratados indica uma tendência positiva de equidade de gênero, embora ainda haja desafios estruturais a serem enfrentados, como desigualdade salarial e acesso a cargos de liderança no setor.
Distribuição regional: Sudeste lidera, Norte avança
A geração de empregos formais ligados ao turismo foi distribuída de forma relativamente equilibrada entre as regiões brasileiras, embora o Sudeste tenha concentrado a maior parte das novas vagas, com 168.810 contratações. Em seguida aparecem:
– Sul: 78.254 vagas
– Centro-Oeste: 50.050 vagas
– Nordeste: 48.702 vagas
– Norte: 17.046 vagas
Apesar da concentração no Sudeste, destaca-se o avanço do Norte e Nordeste, regiões tradicionalmente associadas ao turismo de natureza e cultural, que vêm ampliando sua infraestrutura e capacidade de receber visitantes. O crescimento do turismo regional, aliado a investimentos em capacitação profissional e infraestrutura, tem ajudado a descentralizar os benefícios econômicos da atividade turística.
Políticas públicas e qualificação
O bom desempenho do setor também reflete o impacto de políticas públicas implementadas nos últimos meses, que incluem:
– Programas de qualificação profissional voltados para o turismo;
– Incentivos fiscais e linhas de crédito para empreendedores do setor;
– Parcerias com estados e municípios para promoção turística e ampliação da infraestrutura receptiva.
Essas iniciativas têm como objetivo não apenas gerar empregos, mas também aumentar a competitividade do Brasil como destino turístico nacional e internacional, com foco em sustentabilidade, inovação e inclusão.
Turismo como vetor de desenvolvimento sustentável
O desempenho do setor reforça uma visão de longo prazo: o turismo, quando bem estruturado, é capaz de impulsionar o desenvolvimento sustentável, gerando impacto positivo nas áreas social, econômica e ambiental.
Ao integrar comunidades locais, respeitar culturas tradicionais e promover inclusão produtiva, o turismo sustentável se posiciona como uma estratégia eficaz para reduzir desigualdades regionais e estimular o crescimento de cadeias produtivas locais, como artesanato, gastronomia e agricultura familiar.
Conclusão: turismo com papel protagonista na retomada econômica
Os mais de 62 mil empregos formais criados no primeiro trimestre de 2025 confirmam o papel estratégico do turismo na economia brasileira. O setor se consolida como gerador de oportunidades reais, capaz de absorver mão de obra jovem, diversificada e com diferentes níveis de qualificação.
Com ações coordenadas entre governo, iniciativa privada e sociedade civil, o turismo pode liderar não apenas a retomada do emprego pós-pandemia, mas também uma transformação estrutural no mercado de trabalho brasileiro, mais inclusiva, sustentável e conectada com as vocações locais de cada região.


