Turismo com propósito: maioria dos brasileiros quer viagens que beneficiem comunidades locais

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No momento em que o turismo retoma força no Brasil e no mundo, uma nova tendência ganha protagonismo: viajar com propósito e impacto positivo. Segundo o mais recente relatório da Booking.com, 83% dos viajantes brasileiros afirmam desejar que seus gastos em turismo beneficiem diretamente as comunidades locais. Esse dado reforça a ascensão do turismo sustentável, que alia lazer, responsabilidade ambiental e valorização cultural.
A pesquisa foi realizada com mais de 32 mil viajantes em 34 países e revela uma mudança significativa na forma como o brasileiro enxerga sua experiência turística. Mais do que belas paisagens e conforto, o turista nacional agora busca autenticidade e contribuição social. O Brasil, com sua biodiversidade única e riqueza cultural, desponta como terreno fértil para esse novo modelo de turismo.

Sustentabilidade deixa de ser discurso e vira critério de escolha

Se antes questões econômicas eram os principais fatores decisivos na hora de escolher um destino, agora o aspecto ambiental ganha o mesmo peso. O estudo mostra que os brasileiros estão cada vez mais conscientes do impacto de suas escolhas. O “E” de ESG — meio ambiente — passou a ter importância comparável ao impacto social e financeiro.
Entre as atitudes mais comuns, 50% dos viajantes brasileiros buscam dicas para viajar fora da alta temporada, a fim de evitar superlotação e minimizar impactos. Além disso, 47% preferem visitar locais menos explorados, contribuindo para a distribuição mais equilibrada da atividade turística.
Esse comportamento sugere que o turismo sustentável está deixando de ser um nicho e se consolidando como um movimento transformador de hábitos e expectativas. E isso exige preparo dos destinos e políticas públicas capazes de equilibrar desenvolvimento e preservação.

A visão dos moradores: benefícios e desafios

A pesquisa da Booking.com também deu voz aos moradores das regiões turísticas. E os dados mostram que, apesar de reconhecerem os benefícios do turismo — 66% afirmam que ele traz vantagens econômicas e sociais —, muitos apontam problemas graves relacionados à superlotação e infraestrutura precária.
Apenas 31% dos residentes brasileiros dizem que o número de turistas em suas localidades está em um nível adequado. Os principais incômodos citados foram:
– Lixo acumulado (45%)
– Trânsito e congestionamentos (40%)
– Aumento no custo de vida local (36%)
– Superlotação de espaços públicos (33%)
Curiosamente, apenas 17% dos moradores defendem a limitação do número de visitantes como solução. A maioria prefere investimentos estruturais:
– 52% sugerem mais ações de conservação ambiental
– 50% cobram gestão eficiente de resíduos
– 48% pedem melhorias no transporte e mobilidade urbana
Isso indica que o problema não é o turismo em si, mas a falta de planejamento urbano e ambiental para lidar com o fluxo crescente de visitantes.

O papel do turista: comportamento que gera impacto

O relatório também trouxe uma perspectiva positiva sobre o comportamento dos próprios turistas. Para 57% dos residentes, os visitantes geralmente respeitam os costumes e tradições locais. Já 55% observam que os turistas apoiam o comércio local, comprando de pequenos empreendedores e consumindo produtos típicos.
Esse alinhamento entre intenção e prática é fundamental para consolidar o turismo como um instrumento de desenvolvimento sustentável. E a boa notícia é que a maioria dos viajantes brasileiros também demonstra interesse em experiências culturais autênticas: 82% buscam atividades que representem a cultura local de forma genuína.
Esse dado reforça a necessidade de desenvolver produtos turísticos alinhados com a realidade das comunidades, promovendo inclusão, renda e identidade cultural.

Amazônia no centro do debate global

Com a COP30 marcada para 2025, a Amazônia ganha protagonismo como símbolo mundial da sustentabilidade. O turismo baseado em soluções de baixo impacto ambiental e valorização das populações ribeirinhas pode se tornar um dos pilares dessa nova economia verde.
Iniciativas de turismo de base comunitária, ecoturismo e experiências imersivas ganham força na região Norte, atraindo tanto turistas brasileiros quanto estrangeiros. Mas, para que esse modelo prospere, é preciso qualificação da mão de obra, infraestrutura logística e incentivos à inovação social.
Segundo especialistas, o turismo pode ser uma ferramenta estratégica de conservação, desde que respeite os limites ecológicos e o protagonismo das comunidades tradicionais.

Conclusão: turismo que transforma

A nova geração de viajantes não quer apenas consumir experiências — ela quer transformar o mundo enquanto viaja. O turismo sustentável, com foco em benefício mútuo entre visitante e comunidade local, representa um caminho viável para equilibrar lazer e responsabilidade.
O Brasil tem tudo para liderar essa transformação: riqueza natural, diversidade cultural e uma nova consciência coletiva em ascensão. Mas isso exige ação coordenada entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil.
Viajar, neste novo contexto, é mais do que conhecer lugares — é reconhecer o impacto de cada escolha e usá-la para construir um futuro melhor.

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