O sucesso de público e rentabilidade do parque Terra dos Dinos, localizado em Miguel Pereira (RJ), está impulsionando um ambicioso plano de expansão. Com mais de 600 mil visitantes desde 2022 e faturamento estimado em R$ 30 milhões em 2025, o empreendimento liderado por Márcio Clare agora se prepara para investir R$ 200 milhões em novas unidades até 2026, consolidando-se como um dos fenômenos do entretenimento nacional.
Combinando dinossauros animatrônicos, trilhas sensoriais e uma narrativa imersiva que lembra produções da Disney, o parque deixou de ser uma curiosidade turística local para se tornar referência no setor de parques temáticos. A expansão incluirá unidades em Campos do Jordão (SP) e João Pessoa (PB), além de uma terceira cidade ainda em negociação.
Um parque imersivo com padrão Disney
A proposta do Terra dos Dinos vai muito além de réplicas estáticas. Desde sua inauguração, a atração foi pensada para proporcionar uma experiência completa e inesquecível, com atores fantasiados, labirintos, sustos planejados e trilhas no meio da mata. A comparação com parques internacionais é frequente.
> “Não adianta ser uma exposição. Tem que ter emoção, história e surpresa”, diz Clare. “A gente escuta muito: ‘isso aqui é padrão Disney’.”
A infraestrutura conta com esculturas animadas importadas da China, além de peças produzidas por artistas brasileiros. Destaque para a Gruta Fantasma, onde atores promovem sustos no escuro, em um resgate das atrações clássicas de parques nacionais, como a Monga.
Modelo de negócio lucrativo e sustentável
O parque em Miguel Pereira fatura atualmente mais de R$ 25 milhões ao ano, com expectativa de crescimento para R$ 30 milhões em 2025. O modelo de negócios é altamente rentável: além da bilheteria, há receitas com alimentação, fotos personalizadas, atrações extras como tirolesa e merchandising. O parque também funciona como motor de desenvolvimento regional.
A operação conta com 200 funcionários com carteira assinada e movimenta a economia local por meio de hotéis, pousadas e restaurantes. Só em 2023, 30% dos 350 mil visitantes chegaram em excursões escolares, o que reforça o apelo educacional e familiar da experiência.
Expansão nacional: Campos do Jordão, João Pessoa e mais
Após o sucesso consolidado no Rio de Janeiro, a empresa prepara a construção de três novas unidades até 2026, começando por Campos do Jordão (SP), cujo parque já está em construção com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2026. A novidade será a “cidade perdida”, um labirinto imersivo no meio da floresta, que amplia a proposta sensorial e interativa da experiência.
O segundo parque confirmado será em João Pessoa (PB), dentro do Polo Turístico Cabo Branco, megacomplexo turístico com mais de 14 mil leitos planejados. A escolha estratégica reforça o foco em destinos com potencial de fluxo turístico elevado.
Uma terceira unidade estava prevista para Guarapari (ES), mas foi cancelada por entraves ambientais. Clare afirma que já haviam sido feitos investimentos no local, incluindo a compra de dinossauros, mas a falta de parceria com autoridades inviabilizou o projeto.
> “Estamos conversando com outras prefeituras. Queremos estar em cidades que abracem o projeto”, explica.
Um mercado em expansão
A movimentação do Terra dos Dinos acompanha a tendência de crescimento do setor de parques e atrações turísticas no Brasil. Um estudo do Sindepat e da Adibra aponta que o país deverá receber 63 novos empreendimentos até 2027, somando R$ 9,6 bilhões em investimentos e gerando 11 mil empregos diretos.
Exemplo emblemático desse movimento é o parque da Cacau Show em Itu (SP), com investimento de R$ 2 bilhões. O segmento ganha cada vez mais relevância como vetor de desenvolvimento econômico regional, diversificando o turismo e ampliando a oferta de lazer de qualidade.
Origens do projeto: de lixão a floresta temática
A história do Terra dos Dinos começou durante a pandemia, em 2020, quando o então prefeito de Miguel Pereira propôs a criação de um parque temático como parte de um plano de desenvolvimento turístico inspirado no modelo de Gramado (RS). O terreno escolhido era um antigo lixão, transformado em área verde com apoio de uma Parceria Público-Privada (PPP).
A concessão prevê o repasse de 5% da receita bruta à prefeitura e 3% em ISS, gerando arrecadação e empregos locais. Para Clare, o projeto é um exemplo de como iniciativas privadas bem estruturadas podem impulsionar políticas públicas sustentáveis.
> “Transformaram um antigo lixão em floresta visitável. O parque preserva a área, gera acesso, renda e impostos”, resume.
Planos para o futuro: nacionalização e internacionalização
Com os novos projetos em andamento, Clare já mira o médio prazo: sua meta é ter sete ou oito unidades em operação até o fim de 2026 e, a partir de 2027, iniciar a internacionalização da marca, levando o modelo de parque imersivo a outros países.
> “Achava que isso seria um negócio paralelo. Hoje vejo que é meu projeto de vida”, afirma.
Enquanto outros parques brasileiros apostam em marcas internacionais ou licenciamentos, o Terra dos Dinos cresce com identidade própria, centrado em experiências sensoriais, integração com o ambiente natural e narrativa lúdica.
A aposta no entretenimento autoral, que une criatividade, gestão eficiente e apelo emocional, vem provando que o Brasil pode criar — e escalar — suas próprias franquias no setor de parques temáticos.


