Pressão Cambial e Safrinha Limitada Freiam o Ritmo do Mercado Brasileiro de Milho

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Porto Alegre (RS) – O mercado brasileiro de milho segue operando em ritmo lento, influenciado por um cenário de incerteza cambial, queda nas exportações e a oferta ainda tímida da segunda safra, conhecida como safrinha. A retração nas negociações reflete tanto o comportamento cauteloso de compradores quanto a resistência de produtores em aceitar preços mais baixos.
Nesta primeira semana de junho de 2025, os preços do cereal oscilaram de estáveis a mais baixos na maioria das regiões produtoras do país. A queda do dólar frente ao real tem reduzido a competitividade do milho brasileiro no mercado externo, pressionando as cotações nos portos e diminuindo o apetite de exportadores. Em Santos, a saca foi negociada entre R$ 68,50 e R$ 71,00; em Paranaguá, entre R$ 66,50 e R$ 70,00.

Oferta restrita e pressão nos preços

Com o início ainda tímido da colheita da safrinha — especialmente no Centro-Oeste — a oferta física no mercado doméstico é limitada. Essa condição, que poderia sustentar os preços, perde força diante da valorização do real e da queda na demanda externa. Em regiões do interior, como Rondonópolis (MT), os preços estão entre R$ 52,00 e R$ 56,00 por saca, enquanto em Campinas (SP), os valores são mais elevados, entre R$ 70,50 e R$ 72,00 por saca.
Segundo Paulo Molinari, consultor da Safras & Mercado, o comportamento defensivo dos compradores é impulsionado pela expectativa de maior volume colhido nas próximas semanas. “Os consumidores estão cautelosos, à espera de um aumento de oferta que pode pressionar os preços ainda mais, especialmente com o dólar fraco dificultando as exportações”, avalia.

Mercado internacional instável

No cenário global, os contratos de milho na Bolsa de Chicago operam em alta, com os futuros de julho cotados a US$ 4,44 ½ por bushel, impulsionados por uma correção técnica e pela valorização do petróleo nos EUA. No entanto, essa elevação externa não tem sido suficiente para sustentar os preços internos no Brasil, justamente por conta da valorização cambial.
Fatores geopolíticos também alimentam a volatilidade. A possível reunião entre os presidentes Joe Biden e Xi Jinping reacende preocupações sobre a estabilidade do comércio internacional, especialmente no que se refere ao cumprimento de acordos entre EUA e China, dois grandes players do mercado agrícola global.

Dólar em queda pressiona exportações

O dólar comercial recuou 0,28%, cotado a R$ 5,6205, reduzindo os ganhos dos exportadores brasileiros. Essa dinâmica impacta diretamente o interesse pela venda externa do milho, já que os preços em reais se tornam menos atrativos. O recuo da moeda americana é parte de um movimento mais amplo de valorização do real, ancorado por expectativas de melhora no ambiente fiscal brasileiro e por fluxo positivo de capital estrangeiro.
A queda no Dollar Index, ainda que modesta (0,03%), reforça esse cenário de desvalorização da moeda americana globalmente. Isso contribui para que o milho brasileiro, apesar de sua competitividade natural, perca espaço para outros exportadores, como os Estados Unidos e a Argentina, no curto prazo.

Indicadores e expectativas econômicas

Enquanto as bolsas de valores da Ásia e Europa operam com leve alta, o mercado aguarda dados importantes da economia americana, como os estoques de petróleo, o Livro Bege do Federal Reserve, o relatório de empregos e os números da balança comercial. Esses indicadores terão peso na direção do câmbio e, por consequência, nos preços dos grãos.
Além disso, os relatórios climáticos e de condições das lavouras na Argentina e no Brasil, bem como as informações do IMEA sobre o desenvolvimento das lavouras de milho em Mato Grosso, serão cruciais para balizar expectativas de produtividade e oferta global nas próximas semanas.

Cenário incerto exige cautela

O comportamento dos produtores e compradores brasileiros indica uma estratégia de espera: uns não querem vender barato antes da consolidação da safra; outros, por sua vez, aguardam quedas adicionais nos preços para reabastecer os estoques. A tendência, segundo especialistas, é que o mercado siga operando de forma lateral até que haja clareza sobre o volume da safrinha e uma definição mais concreta do comportamento cambial.
A médio prazo, o Brasil segue competitivo como um dos maiores exportadores de milho do mundo, especialmente se a safrinha apresentar bons rendimentos e o câmbio voltar a se depreciar. Contudo, no curto prazo, o mercado deve continuar marcado por negociações contidas e margens apertadas.

Fontes :

– Portal Safras & Mercado (artigo original)
– Bolsa de Chicago (CBOT) – dados de contratos futuros
– Banco Central do Brasil – cotação cambial
– CME Group – dados do petróleo
– USDA – contexto do mercado de grãos
– Relatórios do IMEA e Emater sobre o desenvolvimento das lavouras

Morango com Hortelã
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