Claro mira além da telefonia: aposta no “beyond banking” para integrar telecom e finanças

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A Claro expande seu alcance e mira o futuro dos serviços integrados

A Claro, gigante da telecomunicação no Brasil, apresentou recentemente sua visão para o “beyond banking” — um modelo estratégico que transcende o serviço bancário tradicional e caminha para a convergência entre telecomunicações, finanças e tecnologia. Em entrevista durante a Febraban Tech 2025, o diretor-executivo de Negócios e Marketing da Claro Empresas, Marcello Miguel, destacou que a empresa está focada em transformar a conectividade que oferece em um ecossistema integrado de soluções digitais para o setor financeiro.

Conectividade como base de inovação financeira

Segundo Marcello Miguel, a infraestrutura robusta de redes da Claro, combinada com tecnologias como multicloud, IoT e omnicanalidade, permite criar serviços que vão além do simples transporte de dados. A ideia é promover a cocriação com clientes e orquestrar ecossistemas que aproveitem essa infraestrutura para gerar valor financeiro — ampliando a experiência com produtos que combinam telecom e finanças.
“Com essas tecnologias, o setor financeiro deixa de ser só facilitador de transações para se tornar um grande ecossistema inovador”, definiu o diretor, ressaltando que a Claro vê nas redes, no 5G e na nuvem as bases para essa evolução.

O papel da tecnologia e do 5G no ecossistema

O “beyond banking” se sustenta em tecnologias de ponta. A Claro aposta em IoT, inteligência artificial (inclusive generativa), computação em nuvem e conectividade 5G para viabilizar esse novo modelo. O uso dessas ferramentas permite integrar dispositivos, prever necessidades do cliente e criar serviços que respondam a demandas mais amplas, como seguros, e-commerce, saúde digital e mobilidade .
O executivo reforçou que o setor financeiro brasileiro já exibe maturidade digital alta e tem feito investimentos robustos nessas tecnologias — condições que tornam o momento ideal para a transição para esse novo paradigma.

Mercado brasileiro: entre telcos e fintechs

Modelos semelhantes vêm ganhando força no Brasil. O Nubank, maior fintech digital do país, prepara o NuCel, um serviço de telefonia móvel via MVNO (operadora virtual), usando a infraestrutura da Claro. Lançado após aprovação pela Anatel, o NuCel oferece planos de dados ilimitados, chamadas locais e regionais e integração com produtos financeiros — além de rendimento direto em contas Nubank.
Essa tendência tende a crescer: outras fintechs globais estão adotando modelos híbridos, combinando finanças e telecom, ampliando o leque de serviços oferecidos e criando novas formas de relacionamento com o cliente .

Vantagens do modelo integrado

A abordagem “beyond banking” oferece vantagens competitivas claras. Primeiramente, melhora a experiência do usuário, reunindo em um único ambiente soluções financeiras, de comunicação e de conectividade. Além disso, gera dados valiosos — como hábitos de consumo e padrões de uso — que podem ser utilizados para formular propostas personalizadas.
Além disso, abre caminho para novos fluxos de receita e cria oportunidades comerciais para parceiros da empresa, permitindo monetização além da cobrança por dados ou serviços bancários tradicionais.

Desafios regulatórios e técnicos

Apesar do potencial, o modelo integrado enfrenta barreiras relevantes. A legislação brasileira ainda trabalha para acompanhar essa fusão entre telecom e serviços financeiros, exigindo regulamentação específica para MVNOs, uso de dados sensíveis e segurança digital.
Por outro lado, a interoperabilidade entre plataformas de telecom e sistemas financeiros deve atender aos requisitos de segurança e confiabilidade exigidos por órgãos como a Anatel, Banco Central e o Conar, além do ambiente de LGPD.

Estratégia da Claro e do setor

A Claro já iniciou esforços estruturais para dar suporte ao “beyond banking”. O grupo promove reuniões de cocriação com clientes corporativos e institucionais, visando desenvolver soluções customizadas que unam conectividade, nuvem e serviços financeiros.
Essa estratégia, se bem aplicada, pode posicionar a Claro na vanguarda do setor, criando novas soluções digitais que utilizem a expertise da empresa em telecomunicações.

Perspectivas futuras

Com a aplicação prática do “beyond banking”, a Claro pode definir o padrão para um novo modelo de negócios, que a telecomunicação e o setor financeiro se tornem cada vez mais indistinguíveis. A crescente digitalização, o desenvolvimento de fintechs, o avanço do 5G e o surgimento de MVNOs associadas a bancos mostram que esse caminho é realidade.
Ao reforçar o papel estratégico de suas redes, a empresa sinaliza uma aproximação do setor financeiro com o universo digital e conectivo, abrindo espaço para inovação contínua e expansão dos serviços oferecidos.

Conclusão

A Claro, com recursos tecnológicos robustos e expertise em telecomunicações, está empenhada em entrar no universo do “beyond banking”. Ao orquestrar soluções que combinam conectividade, nuvem, IoT e serviços financeiros, a empresa se posiciona estrategicamente para atuar como aceleradora de um ecossistema digital integrado. Essa iniciativa marca uma nova era para operadoras brasileiras, reforçando a tendência de fusão entre setores e abrindo caminho para uma experiência cada vez mais conectada e personalizada para o consumidor.
Fontes:
CNN Brasil, Anatel, Nubank, Contxto, Desenvolving Telecoms

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