INTRODUÇÃO
“Investir em hotelaria no Brasil hoje é apostar no país que mais cresce em turismo na América Latina.” Esse cenário, que já ressoa entre especialistas, ganha corpo quando olhamos para os dados recentes do setor.
No SAHIC Latin America & The Caribbean 2025, realizado no Rio de Janeiro, o Ministério do Turismo promoveu iniciativas expressivas para estreitar laços entre o setor público e empreendedores, e apresentou instrumentos financeiros e projetos estratégicos para impulsionar novos negócios hoteleiros no país.
Este artigo analisa os destaques dessa participação, os mecanismos de incentivo como o Fungetur, as perspectivas para empreendedores e investidores e como esse momento pode transformar o Brasil em destino prioritário de capital turístico.
Retorno do SAHIC ao Brasil e articulação institucional
Depois de 15 anos ausente, o fórum SAHIC retorna ao Brasil graças à articulação entre o Ministério do Turismo, governo estadual e parceiros privados. Em sua edição 2025, o evento assumiu importância estratégica como plataforma de projeção internacional do mercado hoteleiro brasileiro. Segundo o MTur, em 2024 o Brasil recebeu cerca de 6,62 milhões de turistas estrangeiros — número recorde — e a expectativa é continuar crescendo rumo à meta de 8,1 milhões prevista no Plano Nacional de Turismo.
Durante os dois dias do evento, dirigentes do Ministério estruturaram reuniões com investidores e empreendedores em estande exclusivo, expondo o Portal de Investimentos do MTur e seu catálogo de projetos hoteleiros elegíveis para parcerias público-privadas. A volta do SAHIC ao país reforça o posicionamento do Brasil como ambiente propício para o turismo e mostra maturidade no seu ecossistema de atração de capitais.
Instrumentos financeiros à disposição e fortalecimento via Fungetur
Um dos pontos centrais apresentados no fórum foi o papel do Novo Fungetur como motor de captação e viabilização de negócios turísticos. Esse fundo especial, vinculado ao MTur, financia obras, reformas, aquisição de equipamentos e capital de giro para empreendimentos turísticos.
Entre 2023 e 2025, já foram contratadas 4.577 operações que totalizam R$ 2,13 bi, sendo que micro e pequenas empresas receberam cerca de R$ 1,16 bi desse montante. No acumulado até dezembro de 2024, o Fungetur já respondeu por R$ 4,1 bi contratados, dos quais R$ 2,5 bi foram direcionados a micro e pequenas empresas.
Além disso, o Ministério anunciou aporte de R$ 452 milhões em 2024 ao fundo para fomentar o turismo no país, partilhando recursos para obras vinculadas à COP30, apoio a estados impactados e à temporada de verão. Esses mecanismos reforçam que o caminho entre projeto bem estruturado e crédito público não é apenas retórico, mas com materialidade efetiva no mercado.
Projetos emblemáticos e impactos regionais
No âmbito do fórum, foi apresentado um projeto de destaque nacional: o Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba. A instalação do 9º empreendimento desse complexo — o hotel The Westin João Pessoa — representa um investimento de aproximadamente R$ 143 milhões e expectativa de gerar 340 empregos diretos na fase de construção.
Esse caso exemplifica como parcerias entre entes federal, estadual e iniciativa privada podem gerar impacto local relevante. Outro dado que reforça a pujância do turismo brasileiro: entre janeiro e abril de 2025, o país registrou a entrada de mais de 4,4 milhões de turistas internacionais, alta de 51 % sobre igual período do ano anterior, gerando gastos superiores a US$ 3 bilhões.
Esses números reforçam que o Brasil não apenas tem demanda internacional crescente, mas que os instrumentos e projetos estão alinhados para capitalizar esse fluxo em oportunidades reais de investimento.
Desafios e estratégias para empreendedores
Apesar de um cenário promissor, o caminho exige atenção a riscos e critérios de execução. A concorrência internacional por capitais e o rigor nos critérios ambientais e de governança são vetores que exigem preparação técnica e estratégia tracejada. É necessário que empreendedores conheçam o funcionamento do Fungetur (taxas, prazos, garantias), compreendam as exigências de credenciamento no Cadastur e saibam estruturar propostas alinhadas aos critérios do MTur.
Além disso, o alinhamento com biomas estratégicos — como Amazônia e Pantanal — e ecoturismo ganha relevância nesse momento em que as agendas de sustentabilidade e clima estão no centro das discussões globais. A projeção de que a COP30 em Belém ocorrerá em 2025 aumenta o apelo de investimentos nessas regiões.
Portanto, a estratégia vencedora passa por combinar estudo de mercado, rigor técnico, parcerias institucionais e proposta de valor diferenciada para gerar competitividade não apenas local, mas internacional.
CONCLUSÃO
A atuação do Ministério do Turismo no SAHIC 2025 marcou uma virada de página no cenário de investimentos hoteleiros no Brasil, retomando protagonismo institucional e apresentando ao mercado instrumentos financeiros concretos, como o Fungetur, que já soma bilhões em operações ativas. Projetos como o Polo Cabo Branco no Nordeste e os recordes de fluxo internacional demonstram que o país está no momento certo para capitalizar sua vocação turística.
Para empreendedores, a lição é clara: não basta ter capital ou ideia — é preciso estrutura. Conhecimento dos instrumentos, compliance regulatório, modelo de governança e articulação com parceiros públicos e privados serão diferenciais decisivos. Transformar tendências em ação não é opcional, é condição de competitividade.
Fica o convite: quem se posicionar estrategicamente agora poderá participar da história de transformação do Brasil em polo global de turismo — e colher resultados além do horizonte imediato.
Fontes
– pt.wikipedia.org
– gov.br
– bnb.gov.br
– portaldocomercio.org.br
– diariodoturismo.com.br
– Ministério do Turismo – “Ministério do Turismo apresenta oportunidades de negócios no maior fórum de investimentos hoteleiros da América Latina”
– Ministério do Turismo – “Ministério do Turismo apresenta Novo Fungetur e casos de sucesso”
– Gov.br
– Fungetur – Produtos e serviços
– Mercado e Eventos – “Ministério do Turismo libera mais R$ 452 milhões via Novo Fungetur”
– Diário do Turismo – “Turismo destaca avanços do setor e papel do Fungetur”
– Jornal do Turismo / BrasilTuris – cobertura SAHIC 2025
– Mercado e Eventos – “Com investimentos estrangeiros, Brasil tem a oportunidade de ser potência no segmento hoteleiro”


