O que começou como uma iniciativa caseira para ajudar na marcenaria da família virou um negócio nacional bilionário. Fundado em 2015 por Thiago Sodré, o Club&Casa Design se transformou em um hub de relacionamento entre lojistas do setor de arquitetura e construção e os profissionais que influenciam diretamente as vendas: arquitetos, designers de interiores e engenheiros.
O modelo, que une fidelização, CRM e experiências exclusivas, permitiu que a empresa alcançasse uma receita de R$ 32,2 milhões em 2023, com expectativa de intermediar R$ 2 bilhões em negócios em 2025. A trajetória ascendente garantiu à empresa o 24º lugar no ranking EXAME Negócios em Expansão, na categoria de empresas com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões.
De encontros informais a um ecossistema de negócios
A semente do negócio foi plantada em reuniões descontraídas entre Thiago, seu pai — dono de uma marcenaria no ABC Paulista — e profissionais da área. Com o tempo, esses encontros se tornaram uma poderosa estratégia de fidelização: aproximar especificadores de produto (como arquitetos) de lojistas parceiros para fortalecer relações comerciais.
A percepção de que os profissionais especificadores eram os verdadeiros motores do setor fez o projeto evoluir para uma plataforma robusta. “Um consumidor final compra uma vez a cada dez anos. Um arquiteto pode estar envolvido em 15 obras por ano”, explica Sodré.
Hoje, o Club&Casa opera em mais de 100 cidades, com 1.000 lojistas ativos, uma base de 35 mil profissionais cadastrados e 130 funcionários espalhados pelo Brasil. O modelo é descrito como um “marketplace offline” — a empresa não vende produtos diretamente, mas conecta quem vende com quem influencia a compra.
Um programa de fidelidade para o B2B
A monetização do negócio ocorre em três frentes: taxa de adesão dos lojistas, mensalidade de manutenção e suporte, e a compra de pontos, que são distribuídos aos profissionais conforme as especificações realizadas.
Em vez de oferecer descontos, o programa recompensa com experiências e capacitação. Arquiteto ou designer que acumula pontos pode usá-los para participar de eventos como a Expo Revestir, semanas de design em Milão e Londres, ou ainda realizar cursos técnicos promovidos pela própria plataforma.
“A proposta nunca foi ser um programa de comissão. É uma plataforma de valorização do especificador”, afirma Sodré. “Queremos ser uma ponte entre o presente do profissional e o futuro dele.”
Crescimento com controle: a fórmula da escalabilidade
Apesar da rápida expansão, o Club&Casa preza por controle e personalização, e evita que a lógica de “clube” se transforme em um sistema saturado. Cada região tem um limite de lojistas por categoria, e há fila de espera para novos entrantes. “Só aumentamos a pizza quando ela pode ser repartida. Saturação mata valor”, diz o fundador.
Além disso, o modelo é descentralizado. Cada região possui um gestor próprio responsável por organizar eventos, ativar a base de profissionais e manter a rede viva. A padronização ocorre por meio de playbooks internos e uma cultura corporativa bem definida.
“Não somos um grande clube nacional. Somos dezenas de pequenos clubes operando de forma articulada”, resume Sodré.
Um passado de erros e aprendizados
Nem tudo foram acertos. Entre 2018 e 2019, a empresa tentou virar um “ecossistema” e abriu nove CNPJs diferentes, apostando em startups, operações internacionais e até uma aceleradora própria. Uma das tentativas mais ousadas foi iniciar atividades em Miami, mesmo sem ter presença no Rio de Janeiro.
“Foi um erro estratégico. Estávamos tentando ser tudo, em todo lugar. Perdemos o foco”, reconhece Sodré. A solução foi radical: encerrar todos os projetos paralelos e focar exclusivamente no core business. Algumas ideias foram reaproveitadas, mas sob nova estrutura.
O ajuste de rota foi essencial para enfrentar a pandemia. Como o Club&Casa já investia em capacitação digital, a empresa conseguiu se adaptar rapidamente ao novo normal, acelerando sua digitalização e consolidando sua relevância como referência de conteúdo no setor.
Diversificação com coerência
Mais recentemente, o Club&Casa lançou a GoLoyalty, uma unidade de negócios dedicada à consultoria em programas de fidelidade sob medida. O foco são grandes indústrias e redes do varejo de construção civil, aproveitando o know-how já acumulado ao longo dos anos.
A empresa também criou uma nova vertical exclusiva para produção de conteúdo e capacitação profissional, apostando que a educação será o próximo grande pilar de fidelização no setor.
“O desafio agora é manter o crescimento sem perder a essência. Escalar com consistência, sem virar mais um programa genérico de fidelidade”, diz Sodré.
Uma década de resultados — e um futuro em expansão
Completando dez anos em 2025, o Club&Casa Design representa um novo tipo de empresa no setor da construção civil — focada em relacionamento, inteligência de mercado e fortalecimento das pontas da cadeia.
A meta para os próximos anos é consolidar o posicionamento como referência nacional em fidelização e expansão consciente. Com previsão de faturar R$ 60 milhões em 2025 e intermediar mais de R$ 2 bilhões em vendas, a empresa se destaca não só pelo resultado financeiro, mas pela forma como transformou uma ideia simples em um modelo replicável, sustentável e centrado no valor humano.


